Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 10

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito com dados fornecidos por um dos participantes ou uma testemunha.

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Maio  2010
Parte do dia:
Local: Vila Velha - ES/morro do moreno-via as aparencias enganam
Número total de pessoas envolvidas: 1
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Sem movimento (inclui paradas de escalada em rocha)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Erro de orientação

Tipo(s) de ferimento(s):
Contusão

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)
Moderada (1 a 3 anos)

Relato:
O escalador A estava guiando a via "As aparencais enganam" com segurança feita pelo escalador B que não tinha experiencia.
Quando o escalador A chegou ao o último grampo fez a ancoragem e pediu que o escalador B liberasse mais corda para que o escalador A pudesse passar a corda pelo grampo para ser descido.

Depois de passar a corda pelo grampo e se encordar novamente o escalador A soltou a auto-segurança e caiu do ultimo grampo da via.

O que aconteceu é que quando o escalador A pediu para o escalador B liberasse mais corda este entendeu o pedido de forma errada e tirou completamente a corda do ATC, desmontando a segurança.

Prevenção (opinião do relator):
Ao levar um novato para escalar, certificar-se que este compreende as técnicas de escalada e segurança principalmente.
Todo procedimento de uma iniciante deve ser acompanhado de perto, a instituição de vocabulário indicativo para cada procedimento ajudaria a evitar acidentes deste tipo.
Análise (CBME):
Não há padronização oficial de comandos verbais em escalada no Brasil e existem muitas variações regionais e mesmo grupos específicos (clubes, etc) possuem seu próprio conjunto de frases, algumas com potencial de serem confundidas quando faladas à distância.
A comunicação entre segurança e guia deve ser clara e concisa, e combinada solidamente de antemão.
Nesse caso do relato, o pedido de "soltar mais corda" a um escalador inexperiente deu margem à interpretação errada levando o segurança a tirar totalmente a corda do equipamento de segurança, ao invés de liberar um pouco mais de corda, que era o que o guia estava pedindo.
Recomendações (CBME):
1. Não permitir que escaladores totalmente inexperientes façam sua segurança.
2. Indicar um bom curso básico de escalada/montanhismo (CBM) para amigos que queiram se iniciar na escalada; na impossibilidade deste e caso opte por treinar o futuro escalador por si, deve seguir o currículo mínimo do CBM, disponível em sites de algumas federações, cobrindo todos os tópicos e se certificando que o iniciante sedimentou as informações e está apto a dar segurança.
3. Estabelecer frases curtas e claras para comunicação entre segurança e guia. Por exemplo "Solte a corda" e "Desmonte a segurança" devem ter seu significado clarificado pelos participantes para evitar confusão.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***