Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 103

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento:

Mês e ano: Outubro  2016
Parte do dia:
Local: Diamantina - MG/Gruta do Salitre - Projeto ao lado da via
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Sem movimento (inclui paradas de escalada em rocha)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Ataque de marimbondos

Causa(s) contribuinte(s):
Ataque de marimbondos

Tipo(s) de ferimento(s):
Picadas de marimbondo

Nível de experiência dos envolvidos:

Relato:
Escalamos uma via que termina em um platô, na Gruta do Salitre.
Dei segurança de cima para a Participante A que demorou um pouco na subida, uma vez que ela não tinha muita experiência . Após a subida desta, montei uma corda fixa para que ela descesse de rapel.
Após ela ter descido, recolhi a corda para que outro participante (Participante B) subisse com segurança de baixo, dada por outro parceiro, uma vez que eu tinha a intenção de ficar um tempo no platô para observar possíveis linhas de continuação da via a partir do platô.
Quando cheguei ao platô, antes da Participante A subir, ainda era cedo e estava na sombra. Com o tempo de subida e descida da Participante A e Subida do Participante B, ficamos sob forte sol do meio dia, e percebi pela movimentação de marimbondos o que parecia ser uma pequena caixa de marimbondos ao lado do platô, sobre a qual eu deveria passar para retornar ao ponto de descida.
Quando o Participante B chegou ao platô, os marimbondos começaram a se agitar mais (o sol mais a nossa presença fizeram com que eles saíssem).
Como ainda deveríamos armar o rapel, e esta movimentação poderia fazer com que fossemos atacados, optamos por fazer isso o mais lentamente possível, evitando assim movimentos bruscos.
Neste momento os marimbondos começaram a nos atacar, e ficamos agachados por um tempo protegendo assim nossos rostos e combinando como agiríamos através de sussurros.
Neste momento ouvi várias batidas no meu capacete, que estava sendo atacado. Pela sombra também pude notar que os marimbondos atacaram também a corda que se movia quando a recolhíamos.
Decidimos por fazer o rapel em simultâneo, mesmo sem o participante B já ter praticado o procedimento, que foi realizado com a devida segurança. Como estávamos sob ataque dos marimbondos, abandonamos todo o material que eu estava utilizando no topo da via, o que por sorte nossa facilitou a montagem do rapel, uma vez que havia uma parada montada.
Como saldo, além do susto apenas algumas picadas.
No mesmo dia à noite subi e consegui recuperar o material e a outra corda que estava no platô tranquilamente. Provavelmente este tipo de marimbondos é mais agressivo quando sob sol quente.

Prevenção (opinião do relator):
Ao ver marimbondos, evacuar imediatamente a via.
Por achar que haviam poucos marimbondos, acabei nos submetendo a um risco.
Recomendações (CBME):
Manter a calma e prestar atenção aos procedimentos de segurança em situações como estas.

O hábito da checagem mútua antes de momentos críticos (início da ascenção, rapel, etc) deve ser incluído nos procedimentos-padrão, independentemente do nível de experiência dos participantes.

Ao constatar abelhas ou marimbondos em vias alerte assim que possível sua comunidade local de escalada por midia social ou listas de discussão, e também o atual responsável pela via (conquistador, clube, etc.). Não tente retirar o ninho se não estiver habilitado e preparado para a tarefa, e se não tiver tido discussão prévia com o responsável pela via. Retiradas de ninhos de abelhas e marimbondos devem ser feitas por pessoal habilitado e serem programadas em dias de pouco movimento, sem escaladores em vias próximas, etc., e também devem ser anunciadas previamente em midia social/listas, para que o local seja evitado no dia em questão.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***