Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 104

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por uma testemunha

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Abril  2017
Parte do dia: Tarde
Local: Arcos - RJ/Setor do Segundo Andar
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Parcialmente nublado

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Sem capacete
Posição desfavorável

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão
Laceração

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Escalador A estava numa via onde existe a possibilidade de queda na base antes de costurar a segunda proteção. Ele caiu no lance, bateu na corda e girou de cabeça para baixo, batendo com a nuca num bloco de pedra que tem na base.
Teve um corte relativamente profundo e desmaiou por alguns segundos, recuperando a consciência em seguida. O Participante A ao ver a gravidade da situação logo gritou pedindo por uma ambulância. Um escalador local saiu para pedir socorro e ficou com um número de contato nosso.
O Participante A usou uma camisa para estancar o sangue e desceu o escalador A para uma parte mais abaixo onde daria para sair andando. Quando o Escalador A chegou ao final da trilha a ambulância já estava esperando. Foi levado para o hospital para sutura e exames de imagem e foi liberado ao final do dia.

Prevenção (opinião do relator):
Escalar sempre de capacete. Provavelmente não teria havido maiores problemas se o escalador estivesse usando o capacete.
Evitar vias com queda de base ou platô onde você não domina o grau.
Recomendações (CBME):
1) Prestar atenção à posição da corda durante a subida para que não fique atrás da perna, evitando giro do corpo para trás em uma eventual queda.
2) Em vias com possibilidade de queda séria à base da via antes de clipagem da primeira ou segunda proteção, pode ser considerada a possibilidade de clipagem da proteção antes de iniciada a subida caso o escalador não se sinta seguro de que conseguirá fazer o lance com tranquilidade. Isso pode ser feito com uma costura presa na ponta de um bastão ou galho com fita adesiva, e o gatilho aberto por um graveto, a corda já passada no mosquetão de baixo. Clipa-se a primeira ancoragem, puxa-se o bastão e dá-se início à progressão.
3) Em tese não deveria haver a possibilidade de queda à base da via após clipada a primeira proteção. Se esse risco existe vale a pena discutir com o conquistador da via para uma possível alteração / reposicionamento da proteção se houver consenso.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***