Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 105

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Outubro  2015
Parte do dia: Manhã
Local: Rio de Janeiro - RJ/Floresta da Tijuca, Pico da Tijuca, via P3.
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Escorregão

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
O Escalador A, 11 anos de experiência, conhecedor da via em questão com Escalador B, 1 ano de experiência, primeira vez escalando na via. Escalador A guiava a via P3 (Paredão Paraíso Perdido) no Pico da Tijuca enquanto Escalador B dava segurança e cumpria com o seu papel de participante escalando excepcionalmente bem.
Na 3a enfiada da via, depois do Escalador A alcançar o topo da enfiada e preparar a segurança do Escalador B, sem comunicação visual, Escalador A comunica verbalmente ao Escalador B para que ele inicie sua subida. Após algum momento o Escalador B cai e dá um grito, logo geme de dor. O Escalador A entra em contato para saber a situação e o Escalador B - com muita dificuldade - informa que seu pé quebrou e está doendo muito. O Escalador A pede para que o Participante A tente alcançar a proteção mais próxima e se assegurar, e assim o faz. Ao proceder de forma segura, o Escalador A desce até o ponto onde está o Escalador B e inicia a avaliação da situação. O Escalador B escorregou de uma agarra em um lance bem fácil, porém vertical, e caiu de mau jeito numa parte da parede onde a inclinação é menor (ladeira), torcendo o pé na hora do impacto e fraturou o tornozelo direito.
O Escalador A retirou o Escalador B da parede seguindo os procedimentos de auto resgate e alcançou a base da via. O Escalador A, sem sinal de celular, mobilizou adequadamente o local da fratura, alimentou e hidratou a vítima, iniciou a remoção do Escalador B levando-o em seu colo pela trilha de volta (1 hora de caminhada) até o ponto de apoio mais próximo e de lá conseguiu comunicação com os bombeiros e a vítima foi socorrida.

Análise (CBME):
Quedas durante a subida são frequentes e esperadas e mesmo em situações corriqueiras podem levar à imobilidade de um dos envolvidos como foi o caso nesse acidente. Importantíssimo que todos os participantes da cordada tenham noções de resgate e auto-resgate com técnicas verticais. Caso o participante mais experiente da cordada se acidente, caberá ao participante menos experiente (ou iniciante) iniciante proceder às técnicas de resgate, e o participante mais experiente pode não estar consciente para dar as orientações.
Recomendações (CBME):
Caso o escalador sinta que não tem conhecimento suficiente para resgate e auto-resgate com técnicas verticais, deve procurar instrução especializada, preferencialmente através de seu clube de montanhismo local, que poderá indicar profissionais competentes para tal se o curso não for oferecido pelo próprio clube.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***