Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 107

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito com dados fornecidos por um dos participantes ou uma testemunha.

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Agosto  2017
Parte do dia: Manhã
Local: Bragança Paulista - SP/Via Água Seca na propriedade particular Fazenda Serrinha, local conhecido como Visual das Águas no município de Bragança Paulista
Número total de pessoas envolvidas: 15
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
escorregão

Causa(s) contribuinte(s):

Tipo(s) de ferimento(s):
Luxação no pé esquerdo e entorse no pé direito

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)

Relato:
Resumo: Durante um Curso de Guia de Escalada, o Aluno Escalador A estava guiando a via Água Seca e sofreu uma queda perto da penúltima proteção (quinta), vindo a bater os pés em uma saliência de pedra. Sofreu luxação no pé esquerdo e entorse no pé direito, sem fraturas de qualquer natureza.

Em detalhe:
Às 11h20, o Aluno Escalador A estava guiando a via Água Seca próximo à quinta proteção quando, ainda longe de iniciar qualquer movimento de costurar, seus pés escorregaram, levando-o a uma queda acima da quarta proteção, bem acima do platô de saída da via.
O exercício de guia desempenhado pelo Aluno Escalador A estava dentro dos padrões de melhores práticas, com segurança correta.
As proteções e a corda dinâmica desempenharam a desaceleração e amortecimento da queda conforme o esperado.
A segurança do guia Aluno Escalador A estava sendo desempenhada pela Aluna Escaladora B, sob supervisão do Instrutor A. Ela estava ancorada com seu autosseguro ao sistema de parada do início da via.
A atividade de seguradora estava sendo dentro das melhores práticas e sua atuação foi correta antes, durante e após a queda.
Quando percebeu que iria cair, o guia Aluno Escalador A fez a comunicação de queda e a seguradora Aluna Escaladora B travou corretamente o freio com a mão direita, direcionando a corda a 180 graus no modo de total frenagem em seu ATC.
O Aluno Escalador A estava chegando na quinta proteção quando caiu, parando abaixo da quarta proteção. A quantidade de corda no momento era correta, sem folga desnecessária ou retesamento exagerado.
Os pés do Aluno Escalador A colidiram sobre uma saliência de pedra na parede. O choque causou uma luxação no pé esquerdo e entorse do pé direito.
A seguradora baixou a vítima imediatamente em top-rope até o platô de saída, sob supervisão do Instrutor A. Outros escaladores o receberam com o cuidado necessário para posicioná-lo sobre o chão, na base da via.
Foi examinado imediatamente pelos três alunos médicos presentes. A vítima não bateu a cabeça, as costas ou sofreu escoriações. Foi administrado medicação para dor.
Uma das médicas ligou para o 192-SAMU porque o 193 não estava disponível. Identificadas as rodovias de acesso e um ponto de referência, a atendente seguiu o protocolo e acionou o Corpo de Bombeiros.
Os instrutores B e C providenciaram rapidamente uma maca. A vítima foi evacuada do local pela trilha de acesso, com o apoio dos presentes e foi possível baixá-lo com controle necessário e boa velocidade. Três pessoas em cada lado da maca, com revezamento nos lances mais difíceis da descida.
Próximo ao acesso à estrada, os resgatistas do Corpo de Bombeiros já estavam sendo conduzidos pela instrutora D, que foi ao encontro no ponto combinado. O instrutor E os recebeu e os encaminhou até o início da trilha. Os resgatistas imobilizaram os tornozelos da vítima, o transferiram para uma prancha rígida e o levaram à ambulância. A vítima esteve consciente durante todo o tempo.
Por volta das 12h10, a ambulância rumou para o hospital mais próximo, e o escalador A foi acompanhado pela aluna médica B na ambulância e pelo aluno médico C em outro carro.
Antes das 13h, a vítima deu entrada no pronto atendimento do hospital, onde os exames e procedimentos médicos necessários foram executados. Os dois alunos médicos o acompanharam durante todo o tempo.
O Aluno Escalador A realizou todos os exames necessários e obteve alta no dia seguinte a sua entrada no hospital.

Prevenção (opinião do relator):
Treinamento de queda, foco e concentração.
Análise (CBME):
Quedas fazem parte da escalada em rocha e são esperadas normalmente. A corda dinâmica e atenção do segurança fazem o papel de primeira linha de proteção do escalador durante a queda. Em cursos básicos o segurança deve ser observado de perto pois muitas vezes não tem ainda a experiência e maturidade para entender a importância de sua total atenção à progressão do primeiro escalador seja em top rope ou vias guiadas.
O próprio escalador protege a si contra quedas desfavoráveis com uso de capacete e evitando manter a corda atrás da perna para evitar que gire e bata a cabeça ao cair.
Quedas desfavoráveis sobre platôs ou queda ao chão em tese são evitadas pela atenção do segurança e planejamento da posição das proteções fixas quando da abertura da via.
Recomendações (CBME):
Usar capacete sempre.
Monitoramento do segurança em cursos básicos.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***