Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 108

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Setembro  2017
Parte do dia: Tarde
Local: Rio de Janeiro - RJ/Pão de Açúcar
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Quebra de agarra

Causa(s) contribuinte(s):
Agarra quebrou
Sem proteção ou com proteção inadequada

Tipo(s) de ferimento(s):

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Escalador A e B, após ascensão bem sucedida do trecho tecnicamente complexo da via Waldemar Guimarães 6º VIIa/b (A1/VIIc) E2 D3, encontram-se na antepenúltima parada da via. O Escalador A, com mais experiência em agarrências, prepara-se para guiar a penútima enfiada.

Os escaladores encontram-se numa parada dupla com grampo e chapeleta nova, enquanto o croqui (em sua mais nova edição) aponta que tal parada deveria ser em grampo único. O traçado do croqui aponta na direção de uma pequena canaleta, protegida por chapa no primeiro lance e por grampo de 1/4 no segundo. A partir da parada é possível ver a posição onde a tal chapa estaria, mas a proteção estava sem a chapa e somente com o parabolt. Usando um nut de cabo seria possível proteger o lance, mas os escaladores não possuíam tal equipamento em seu rack e o croqui tampouco o apontava como necessário.

Devido à impossibilidade de proteger o primeiro lance da canaleta, que é levemente vertical, e à perspectiva de chegar-se até ela e encontrar um grampo de 1/4 podre (que mesmo novo não aguentaria uma queda), o Escalador A optou por dar a volta na canaleta por um trecho positivo, tecnicamente fácil, onde domina-se um batente e chega-se à primeira proteção real da via (um grampo de 1/2 batido numa cristaleira). A pouco mais de 10m da parada dupla, após uma longa diagonal, o Escalador A constatou a necessidade de realizar um pequeno domínio, lance que não poderia exceder um III, a fim de se aproximar da canaleta. Regletando dois pequenos cristais, o Escalador A apoiou seu pé direito num grande cristal à altura de seu joelho, que ao ser pisado se rompeu. O Escalador A foi capaz de manter-se suspenso apenas pelos ombros segurando os cristais até lançar um pé esquerdo alto e passar o lance. Em poucos segundos, protegia-se a cristaleira e dava-se continuidade à escalada.

Prevenção (opinião do relator):
Além da disparidade existente entre as proteções disponíveis e o croqui (o que faz parte e pode ser corrigido numa próxima edição), acreditamos ser necessário um engajamento maior da comunidade de escaladores em prol da substituição e manutenção das vias do Rio de Janeiro. É impossível saber com certeza quando uma agarra vai quebrar, e em situações como a descrita no relato (em fator 2 e no positivo) uma queda traria consequências gravíssimas. Esse trecho da via deveria ser/estar melhor protegido.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***