Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 115

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Outubro  2017
Parte do dia: Tarde
Local: Analândia - SP/Cuscuzeiro
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Posição desfavorável

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão

Nível de experiência dos envolvidos:
Moderada (1 a 3 anos)

Relato:
Estávamos no Cuscuzeiro, no fim do dia, após ter escalado outras vias. Escalador A entrou na via Denorex, Vsup clássico do local. Foi sugerido que entrasse no top rope pois não conhecia a via e a dificuldade é alta para essa graduação para quem não a conhece.
Escalador A estava já para clipar a parada, com a corda na mão, embora já estivesse cansado, mas caiu de súbito, e eu, fazendo a segurança com o freio Cinch tentei tirar o excesso de sobra que havia corda (que seria usada para clipar na parada) antes de tomar o tranco, pois a queda se mostrava bem grande sendo o Escalador A o mais pesado. Porém não deu tempo e corda queimou minha mão esquerda. Soma-se ao fato que a base desta via é curta, impossibilitando a redução da queda por afastamento do assegurador. Cai no chão com dor e a mão queimada, por uma fração de segundo a mão direita saiu da corda (mão do freio), mas ao retomar a mão o freio já havia segurado (freio Cinch semi-automático, semelhante ao Gri-gri).
O Escalador A que estava com a corda na mão para clipar também sofreu queimaduras em sua mão por a estar segurando.
Para os dois escaladores demorou por volta de 1 mês para cicatrizar as feridas e retomar o esporte.

Prevenção (opinião do relator):
Primeiro de tudo, não tentar tirar o excesso de corda pois não há tempo para isso numa queda, deve-se manter com a mão no freio firmemente e tentar uma posição corporal favorável a absorção do impacto. Além disso o Escalador deve saber quando tem forças para clipar uma costura, e caso não tiver assumir uma queda mais curta ou retroceder para a proteção anterior e descansar para retomar a via, evitando cair com a corda na mão e se queimar da mesma maneira.
Por último, pessoalmente tenho usado luvas com uma relação sensibilidade X manuseio boa ao fazer a segurança.
Recomendações (CBME):
1. Seguranças muito mais leves que os guias devem se ancorar para dar segurança para evitar que "decolem" ao travar a queda do guia. Quando isso não for possível, manter sempre um pé na parede para reforçar em caso de queda.
2. Independentemente do equipamento de segurança/frenagem utilizado, no caso de uma queda do guia o movimento da mão que segura a parte livre da corda é muitíssimo importante e é essencialmente o mesmo seja o freio um autoblocante ou não: mais importante que a posição da palma da mão é o ato de trazer a corda para trás do quadril assim distribuindo por uma área muito mais ampla o atrito com a corda, minimizando a força que se tem que fazer com a mão sobre a corda; esse movimento é mais fluido e eficiente com a palma da mão voltada para baixo.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***