Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 12

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Outubro  2011
Parte do dia:
Local: Rio de janeiro - RJ/Face sul do Pão de Açúcar - Via do Coringa
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Posição desfavorável

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:

Relato:
[Nota CBME: relato editado para remover dados de identificação]
[Eu, escalador A] Escalo a 7 anos e considero que tenho um nível médio de experiência. O [escalador B] fez o CBM há alguns anos e só agora voltou a escalar. Entramos na Coringa. Fiz a P1 no platô, protegendo o participante no grampo de cima, como recomenda o croqui. Ele entrou guiando na 2ª enfiada. No segundo "degrau invertido" desta enfiada, antes de vencer o lance ele caiu... Apesar da queda pequena (proteção na altura do pé) ele fraturou/torceu o tornozelo do pé esquerdo. Na hora sentiu muita dor e ficou um pouco transtornado. Eu tinha um pouco de conhecimento de resgate/autoresgate (embora nunca tivesse feito um curso). Conversei com ele no sentido de tranquilizá-lo. Perguntei se podia descê-lo um pouco para que ele se ancorasse no grampo abaixo (+-1m) ao que me respondeu negativamente (isso facilitaria muito o processo). Assim iniciei o procedimento. Estava na seg de Grigri... Lacei os tarugos dos grampos... inverti a parada... transferi a força ... backup com azelha de oito... e estava montando o segundo prussik para chegar até ele... Foi quando chegou uma turma para fazer a Ás de Espadas e ofereceu ajuda [escalador C com grupo de amigos] - gente da mais alta qualidade!!!!). O escalador C entrou na via até o grampo acima do escalador B Depois o ancorou no grampo que estava logo abaixo... Eu desfiz o processo que tinha iniciado liberando a corda... O escalador C montou um Rapel com as duas cordas emendadas no grampo de cima e iniciou a descida com o escalador B... Ao passar por mim me enviou a corda, que retive para descer na sequencia... Montamos outro rapel no primeiro grampo o que facilitou a descida do costão de acesso ao setor da Coringa... Juntamos os equipos e todos ajudaram a levar o escalador B até a pista Cláudio Coutinho. Depois carreguei o parceiro até a praça onde pegamos um taxi para o Hospital... Valeu a força galera!

Prevenção (opinião do relator):
Na minha opinião a lição do dia foi que é imprescindível um conhecimento mínimo de resgate/autoresgate para ambos os participantes de uma cordada. Saber o básico sobre como descer com o parceiro para a base numa situação dessa é imprescindível. Recomendo fortemente que todos que escalam busquem aprimorar este tipo de conhecimento/técnica. Quanto a queda acredito que a prevenção é escalar muiiiiito... e talvez... treinar umas quedinhas no positivo! Assim como em certas artes marciais aprende-se primeiro a cair/rolar... talvez com mais experiência neste tipo de situação ... pode ser que os reflexos evitem uma torção... mas enfim acredito que a queda do guia é o risco que se assume ao guiar... tem também o lance de respeitar o nivel de sua escalada.
Análise (CBME):
A falta de conhecimento e prática em resgate e auto-resgate nesse caso foi atenuada pelo fato de se escalar em local com fluxo de outros escaladores que puderam ajudar.
Especialmente escalando locais mais remotos é essencial o domínio de técnicas de resgate/auto resgate para casos de incapacitação de um dos participantes.
Recomendações (CBME):
1. Procurar formação em técnica de resgate e auto-resgate; esse é geralmente um curso à parte oferecido por muitas escolas de escalada.
2. Em locais com sinal de telefone celular, esse deve ser mantido acessível em caso de necessidade de se chamar ajuda.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***