Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 121

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Fevereiro  2018
Parte do dia: Manhã
Local: Pancas - ES/Morro do Camelo
Número total de pessoas envolvidas: 4
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Atingido por rocha ou objeto

Causa(s) contribuinte(s):
Rocha frágil

Tipo(s) de ferimento(s):
Contusão

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)
Moderada (1 a 3 anos)

Relato:
Seis cordadas fizeram uma "invasão" de escalada no Morro do Camelo, que tem vias longas relativamente novas e pouco repetidas. Ali a probabilidade de quebra de agarras e lacas é um risco iminente durante toda a escalada e ainda há um sem-número de pedras soltas próximo ao cume. O relato será dividido em duas situações de risco que ocorreram na ocasião: uma na escalada e outra no rapel do morro durante esse dia.

1- Escalada
Duas cordadas realizavam a escalada da via Supercanaleta, que apresenta várias agarras e lacas frágeis. Algumas agarras se quebraram durante a ascensão porém sem consequências graves para o guia ou para os participantes. Nessa escalada, o verdadeiro risco de queda de pedra se materializou próximo ao final da via, que faz cume. Esse último trecho é um costão, com baixa inclinação, onde há inúmeras pedras soltas naturais da rocha. O escalador A seguiu reto em direção ao cume, mas notou que as proteções para montagem da parada estavam à direita do ponto onde se encontrava. Ao se dirigir horizontalmente à parada, sem perceber, ele arrastou lateralmente o seu "rabo de corda". A corda deslocou algumas pedras e estas caíram, atingindo os escaladores que estavam abaixo, no trecho mais vertical da via. Apesar do susto, por sorte, ninguém foi ferido gravemente. Uma escaladora foi atingida no capacete e no ombro e relatou dor até o dia seguinte ao acidente. Outro escalador foi atingido na canela.


2-Rapel
Depois de realizada a ascensão, as várias cordadas se reuniram no cume. Após o descanso, a descida foi feita por rapel, com várias duplas rapelando na mesma via simultaneamente. Inevitavelmente, na hora de jogar a corda, de desenrolá-la de um bolo, ou de recuperá-la, as duplas de cima deslocavam pequenas pedras ou quebravam pedaços de rocha que caíam em direção às cordadas abaixo. Apesar do extremo cuidado para não causar nenhum acidente sério, foram vários os momentos em que pequenos fragmentos caíram. Uma pedra atingiu um escalador, deixando marca no capacete.


Apesar de toda situação de risco iminente, que acabou por se concretizar algumas vezes, ao final da empreitada ninguém ficou ferido e todos finalizaram bem o dia de escalada.

Prevenção (opinião do relator):
Condições naturais do local de escalada podem aumentar o risco de acidentes. No caso em questão, o morro apresenta vias "novas" e pouco repetidas, que ainda apresentam várias pedras soltas, agarras e lacas quebradiças, ou seja, o local ainda está "muito sujo". A atividade conjunta de várias cordadas no local colaborou para o deslocamento de algumas dessas pedras e quebra de agarras.

Nessa ocasião, durante a escalada, o guia deve estar muito atento para identificar e evitar agarras e lacas frágeis. Na situação de aproximação do cume, no trecho menos inclinado, o guia deveria ter tido mais atenção ao arrasto lateral da sua corda.

No caso do rapel, as cordadas poderiam ter sido distribuídas entres as diversas vias existentes ou, no caso de descerem pela mesma via, deveriam ter aguardado que as outras cordadas terminassem a descida, liberando a via.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***