Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 125

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito com dados fornecidos por um dos participantes ou uma testemunha.

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Junho  2018
Parte do dia: Tarde
Local: Água Fria de Goiás - GO/Pico conhecido como Belchior - GO, próximo de Água Fria GO
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 1

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Descendo (inclui rapel)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura
Hemorragia

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Escalador A e B chegaram ao local da escalada e se aqueceram em duas vias (6º e 6º sup). Os escaladores já haviam realizado parceria em outros momentos e tinham relação de amizade de alguns anos. Fizeram procedimentos de rapel nessas vias. Em direção a outro setor de escalada, ao passarem pela via X, resolveram escalar. Os escaladores A e B conheciam a via em questão e já haviam escalado a mesma em outra ocasião. Confirmaram as informações necessárias com os demais escaladores presentes (testemunhas), como tamanho da via, quantidade de costuras, arrasto, verificação do tamanho da corda. O escalador A realizou a escalada guiada normalmente e tinha o conhecimento, habilidade e experiência em rapel. Fizeram a comunicação como acertado entre a dupla (descida de rapel, tô na minha, corda livre, etc). O escalador B se posicionou em frente a corda que estava na base da via e começou a passar a mesma, visando facilitar o trabalho do escalador A ao meiar a corda. A base da via não possibilita a visibilidade do topo. Via de aproximadamente 25 metros. O escalador B aguardava a visualização da corda na base da via quando o escalador A caiu. A queda ocorreu aproximadamente por volta de 14h30 da tarde. Os escaladores não estavam com pressa e ainda tinha luz. O escalador A caiu aproximadamente do topo da via. O escalador B e a testemunha A se direcionaram ao escalador A para verificar suas condições, enquanto as demais testemunhas foram em busca de socorro. os escaladores e testemunhas não movimentaram o escalador A até a chegada dos bombeiros. O escalador A, o escalador B e a testemunha A verificaram a montagem do freio que estava correta, assim como a existência de nó autoblocante prussik. O escalador B verificou que não havia nó na ponta da corda utilizada pelo escalador A e que o mesmo não meiou a corda. Os equipamentos estavam apropriados e em bom estado de conservação. O socorro foi acionado por volta de 15h20, em razão da não existência de sinal para ligação no local. Os bombeiros chegaram por volta de 16hs ao escalador A. O tempo de movimentação do escalador A na trilha (maca) foi de aproximadamente 1 hora. A trilha costuma ser realizada, em condições normais, em aproximadamente 15 minutos. O escalador A estava consciente durante todo o resgate e chegou a verificar junto com o escalador B e a testemunha A que a montagem do freio e nó estavam correta. É provável que o escalador A tenha recordado da ausência de nó na ponta da corda após a sua queda. O escalador A não resistiu às fraturas e hemorragia. Após o acidente, a Associação compareceu ao local e verificou que apenas o topo da via havia sido desequipado, presumindo que o escalador A caiu logo que começou a descer, após a montagem do rapel (topo da via).

Prevenção (opinião do relator):
Sempre termine o procedimento que começar. Uma distração durante a realização de um dos passos do rapel pode levar o escalador a seguir para o próximo passo sem verificar a conclusão do anterior (nó na ponta da corda ou meiar a corda). Atribuir a responsabilidade da corda na base da via ao segurador não é certeza de inibição de acidentes, já que nesse caso, em que a montagem foi realizada com muita velocidade, o segurador estava atento e não teve tempo hábil para evitar o ocorrido. A realização de cursos é essencial para o conhecimento completo dos passos a serem realizados na prática do rapel, assim como a reciclagem em caso de escaladores experientes. O momento da montagem do rapel exige concentração e é realizado isoladamente. A comunicação durante esse momento de concentração é delicada mas também pode exercer um papel importante. Falar com o escalador durante a montagem do rapel pode lembrá-lo de algo, como também pode exercer o papel de distração durante a realização de um dos passos. É importante que toda a comunicação seja planejada antes da escalada e que o escalador, ao finalizar a montagem do rapel, antes de se iniciar na descida, solicite ao segurador uma revisão de procedimentos, repassando verbalmente todos os passos que o escalador adotou para validação pelo segurador. Atenção aos procedimentos de resgate. Repasse detalhes da queda imediatamente ao acionar os responsáveis pelo socorro, como altura da queda, condições iniciais do acidentado. A base do local de escalada é essencial para determinar o nível de machucado em relação a altura. Em bases sujas e cheias de pedras essa informação é essencial, assim como a altura.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***