Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 127

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Agosto  2018
Parte do dia:
Local: Petrópolis - RJ/Travessia Teresópolis Petrópolis
Número total de pessoas envolvidas: 28
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Montanha (trilha)

Etapa da atividade: Caminhando (inclui escaladas fáceis sem equipamento de proteção)

Condições atmosféricas no momento: Parcialmente nublado

Causa(s) imediata(s):
escorregou caminhando na trilha

Causa(s) contribuinte(s):
Pouco condicionamento fisico, agravado por histórico de perna operada com pinos.

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura
lesão ligamentar

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)
Moderada (1 a 3 anos)
Experiente (mais de 3 anos)
o grupo era bem diversificado. Desde pessoas com pouca experiencia até montanhistas muito experientes.

Relato:
[Eventos ocorridos durante curso/pesquisa sobre plantas alimentícias não convencionais, na travessia Teresópolis-Petropolis no PARNASO.]

Este evento contou com 11 participantes pagantes, 3 biólogos (incluindo funcionário do parque e o ministrante do curso), 4 condutores AGUIPERJ/ cadastrados no parque, além da equipe logística; carregadores, cozinheiras e câmera, formando um total de 28 participantes do evento.

Como citado a travessia foi realizada no sentido Teresópolis Petrópolis. E no segundo dia uma das participantes já apresentava muita dificuldade na caminhada, e desde a descida do morro da Luva sua movimentação estava debilitada, mas, lentamente, aliviando o peso da sua mochila e com um condutor lhe dando a mão em muitas passagens, foi possível chegar ao abrigo Açú.

O acidente aconteceu no terceiro dia, a visitante já havia iniciado a caminhada com dificuldade, apresentando dores musculares e pouca mobilidade, mesmo com pessoas ao seu lado lhe auxiliando. Logo no início da caminhada ela sofreu um pequeno escorregão que, aparentemente, não causou nenhuma lesão física, mas já abalou seu psicológico, e mobilizou os outros participantes a distribuírem entre si a carga da sua mochila. Como já não tinha condições de acompanhar o grupo, ela ficou para trás com dois condutores e mais três participantes, enquanto outros dois condutores conduziam o restante do grupo até o final da trilha.

Antes de chegar ao Ajax às 13:00h a mesma sofreu um segundo tombo, dessa vez mais intenso e causando lesão na perna esquerda. A partir desse momento ela não teve mais condições de caminhar, e o pedido de resgate foi acionado através do contato com o parque e corpo de bombeiros. Dois condutores realizaram a imobilização do pé com faixa e esparadrapo, deixando a vítima mais confortável. Neste momento dois voluntários da brigada PREVFOGO subiram para auxiliar, e os bombeiros, que se dirigiam ao parque, orientaram os condutores a tentarem descer com a vítima.

Um grupo de três visitantes que passavam no local se disponibilizaram a ajudar, e com o auxílio de corda e dois bambus, improvisaram uma maca e desceram a vítima até a pedra do queijo, onde três bombeiros já haviam chegado. Os três participantes, que estavam em boas condições mas não podiam ajudar a vítima, foram encaminhados na frente. E eu, um dos condutores, tendo concluído a caminhada (15:00 h) com o grupo maior, retornei para auxiliar no resgate. [Trecho deleletado].

Segui até o grupo (vítima, 2 condutores, 2 brigadistas, 2 bombeiros e 3 voluntários) que estava a poucos metros abaixo do queijo. Os bombeiros haviam feito uma imobilização melhor no pé, e tentavam diversas formas de transportar a vítima. Eles possuíam apenas dois kedies, e não encontravam uma forma de carregar a vitima, que sentia bastante dor em todas as tentativas. Por fim, depois de muito tempo e nenhum avanço, os bombeiros foram convencidos a tentar novamente o método da maca improvisada, e a descida começou a ganhar algum ritmo. Com muito esforço dos participantes e sofrimento da vitima, uma precária descida foi realizada com esta maca improvisada.

O transporte da vítima foi extremamente precário, e contou apenas com mais duas voluntárias que vieram ao encontro do grupo com mais água e alimento. Chegamos na portaria do parque as 22:00 h, a vítima foi encaminhada para o hospital e, após exame, diagnosticada com fratura na Tíbia e lesão nos ligamentos.

Prevenção (opinião do relator):
Este acidente poderia ser prevenido com mais ênfase na divulgação do nível e dificuldade da trilha e maior critério na seleção dos participantes da caminhada.
A travessia Petro-Tere está muito famosa, e com isso muitos pensam estar aptos a fazê-la, mas desconhecem a real dificuldade. Muitas vezes até ocultando dos guias dados importantes sobre sua saúde e condicionamento físico.
E o resgate poderia ter sido melhor realizado de houvesse mais treinamento dos montanhistas (visitantes, guias, brigadistas, bombeiros), e melhor infraestrutura do parque, porque na sede de Petrópolis não tem nem mesmo uma maca.
Grupo de voluntários para resgate, tem surgido entre os montanhistas, mas acabam se diluindo pela falta de apoio, e motivação.
Recomendações (CBME):
Sempre verificar a capacidade física dos participantes de acordo com o local que será visitado / condições / dificuldades.

Fazer grupos menores e mais homôgeneos quanto a capacidade.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***