Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 129

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Fevereiro  2020
Parte do dia: Manhã
Local: Rio de Janeiro - RJ/Morro do Pão de Açucar Via dos Italianos
Número total de pessoas envolvidas: 0
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda
Falha humana ou desconhecimento de técnica
Comportamento de risco

Causa(s) contribuinte(s):
excesso de confiança

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão
Psicológico
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Não se aplica

Relato:
Acidente sofrido por mim no dia 1º de fevereiro de 2020 durante uma escalada na via dos Italianos no Pão de Açúcar. Após meu parceiro guiar a 1º enfiada, comecei a escalar como participante, quando na altura do 3º grampo (um químico), decidi me desencordar pra sanar uma pequena pane que havia ocorrido. Para isso, me prendi no grampo por meio de uma costura clipada ao meu loop. Enquanto me desencordava, apoiei meu pé em um ressalto da parede retirando o peso da costura. Poucos segundos depois, por algum motivo que não consegui identificar, o mosquetão da costura que estava no grampo abriu e permitiu que a fita saísse do mosquetão. Desse ponto, caí até a base da via. Antes de chegar ao solo, me lembro de ter batido com as pernas no platô logo abaixo da minha posição e com a cabeça nas pedras ao lado da base da via. Essa última, posso afirmar que a pancada foi muito forte, pude perceber toda a energia da queda dissipando no capacete e em todo meu corpo.
Felizmente, não sofri grandes lesões. O saldo de um nariz fraturado e 7 pontos na boca saíram de graça se consideramos a altura que despenquei

Prevenção (opinião do relator):
Apresento agora minha percepção dos erros que cometi: o primeiro deles foi decidir me desencordar. Essa atitude deve ser a última opção e usada somente quando não houver nenhuma outra alternativa; depois, fiquei preso à um grampo por uma costura clipada no meu loop, enquanto deveria ter utilizado minha solteira que levava um mosquetão de segurança; o terceiro erro foi ter me apoiado no ressalto da parede retirando o peso da costura enquanto me desencordava. Sei que sempre que estou pendurado em uma fita estática, esta deve permanecer esticada para evitar trancos; e o quarto erro foi não ter me comunicado com meu parceiro sobre os procedimentos que estava realizando. Decidi sozinho e coloquei em prática. Por último, fica o aprendizado, não de procedimentos que deveriam ter sido tomados, pois acredito que a maioria dos escaladores saberá facilmente identificar todos os erros cometidos por mim e quais procedimentos deveriam ter sido tomados, mas chamo a atenção para o excesso de confiança que me fez agir de maneira a aumentar o risco da atividade desnecessariamente. Por último, ressalto a importância do uso de capacete que, dessa vez, posso garantir que salvou minha vida.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***