Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 133

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito com dados fornecidos por um dos participantes ou uma testemunha.

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Janeiro  2020
Parte do dia: Tarde
Local: Santana do Riacho - MG/Jonny Quest - Setor Anfiteatro - G3 - Serra do Cipó
Número total de pessoas envolvidas: 3
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Sem capacete

Tipo(s) de ferimento(s):
Contusão
Psicológico

Nível de experiência dos envolvidos:
Desconhecido

Relato:
Esse relato é escrito com base em informações coletadas com um dos primeiros escaladores, Escalador D, que chegou na vítima após o acidente.

Escaladores A, B e C estavam escalando no setor Anfiteatro no G3 na Serra do Cipó. Escaladora A entrou guiando na via Jonny Quest tendo na segurança o Escalador B. Escaladora C estava assistindo. Ao chegar perto da segunda costura da via, Escaladora A escorregou e caiu com a corda atrás de uma das pernas. A corda passou uma rasteira na escaladora que virou de ponta cabeça e bateu com as costas e a cabeça na parede. Em função da pancada a vítima perdeu consciência e foi descida até o chão pelo Escalador B. A vítima acordou pouco tempo depois mas, apesar disso, em momento algum durante os eventos aqui descritos voltou para um estado de alerta e coerência. Não sabia dizer o que havia acontecido e onde estava. Não respondia as perguntas de maneira coerente. Durante o resgate vomitou algumas vezes.

Um tempo depois do ocorrido, Escalador B entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e com escaladores locais da Associação de Escaladores da Serra do Cipó (AESC) para pedir ajuda. Em paralelo, Escaladora C foi até um setor vizinho pedir ajuda para outros escaladores que estavam no local incluindo o Escalador D que fez o relato dos eventos. Associados da AESC orientaram as pessoas presentes na cena por telefone em relação a localização da maca que fica no G3 e ao mesmo tempo alguns se deslocaram para o local para ajudar. Os escoladores que estavam no local não conseguiram imobilizar a vítima na maca e colocar o colar cervical, pois ela estava incoerente e reagia de maneira agressiva a qualquer tipo de ajuda. Optaram por descer com ela sentada na maca que foi a única maneira possível.

O médico do posto de saúde do distrito, que é escalador e conhece bem área, subiu junto com uma equipe do posto para encontrar com os socorristas que já estavam descendo com a Escaladora A na trilha. Enquanto isso, chegou uma equipe dos bombeiros de helicóptero. Primeiro eles tentaram pousar num local mais próximo dos setores de escalada mas, como isso não foi possível, pousaram próximo ao final da trilha.

Quando os socorristas junto com o médico do Cipó e sua equipe chegaram com a vítima próximo ao final da trilha, ela foi entregue ao Corpo de Bombeiros que a levou para um hospital em BH de helicóptero. Para conseguir colocar a vítima na aeronave, foi necessário sedá-la já que continuava oferecendo resistência para a qualquer tipo de intervenção.

Prevenção (opinião do relator):
- Cuidado com a posição da corda quando estiver guiando
- Uso do capacete

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***