Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 137

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Outubro  2020
Parte do dia:
Local: Lagoa Santa - MG/Sítio do Rod ( R. Nossa Sra. do Rosário, 333 - Lapinha)
Número total de pessoas envolvidas: 4
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Sem movimento (inclui paradas de escalada em rocha)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Mordida de cobra (Jiboia)

Causa(s) contribuinte(s):
Posicionar (sem necessidade) a mão em local provável de ocorrência de cobras e outros animais no topo da via, já na superfície superior da formação rochosa.

Tipo(s) de ferimento(s):
Trauma nos dedos indicador e médio, marcado pelos dentes da cobra.

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Por volta do meio dia, eu estava realizando a escalada da via Bode Negro, enquanto o Gustavo realizava minha segurança. Uma via de 5o Grau, com dois pinos, seguido do top. Cerca de 6 metros de altura. Ao terminar a escalada, minha mão direita estava posicionada em uma agarra boa, enquanto minha mão esquerda realizava o posicionamento das duas costuras e passagem da corda, finalizando assim a escalada. Após esta operação, fui me posicionar para a descida, vindo a colocar minha mão esquerda numa porção superior da via, já no topo da mesma, local onde são depositados sedimentos e restos vegetais (e onde batia o sol). Ao colocar minha mãe esquerda neste local senti uma mordida na mão, vindo a puxá-la rapidamente quando, então, percebi a presença da cobra que vinha presa a dois de meus dedos, soltando em seguida e vindo a cair em um patamar inferior onde meu parceiro estava posicionado. Minha primeira reação foi verificar se a cobra era ou não venenosa. Ao ver que se tratava de uma jiboia (jovem - tamanho e coloração), fiquei mais tranquilo, apesar da mão bastante ensanguentada, cujo sangue escorria descontroladamente. Enquanto o Gustavo me auxiliava na lavagem das mãos, derramando um pouco de solução de iodo sobre a mesma, os escaladores A e B checavam na internet ações que buscassem amenizar ou mitigar impactos à minha saúde decorrentes do acidente. Percebemos, então, que o risco maior seria uma potencial infecção decorrente da presença de bactérias na boca da serpente. Após a limpeza e um curativo com gazes, eu e o Gustavo fomos para um posto de saúde no Distrito local, onde foi feita uma nova lavagem das feridas e emitida uma receita de Cefalexina (500mg), cuja dosagem, por 6 dias, se daria de 6 em 6 horas. No distrito, bem como na sede do município (Lagoa Santa) não há unidades hospitalares para o atendimento a picadas de cobras venenosas. Dessa forma, havendo um acidente com estas serpentes, o atendimento mais próximo seria no hospital João XXIII, em Belo Horizonte/MG. A c jiboia não se feriu na queda, tendo sido removida do local de sua queda e relocada para uma área vegetada, cerca de 10 metros afastada do local do encontro. Como esse relato se dá 3 dias após o acidente, informo que passo bem, sem nenhuma sequela, já tendo, inclusive, ido escalar. Foi só um grande susto.

Prevenção (opinião do relator):
- Curso de primeiros socorros para atendimento a acidentes relacionados à prática da escalada (ataque de animais, traumas e etc), incluindo dicas importantes como a necessidade de registrar a espécie do animal responsável pelo ataque;
- Curso para reconhecimento de cobras;
- Possuir Kits de Primeiros Socorros;
- Caso possível, evitar colocar as mãos no topo das vias, onde bate o sol e local provável de serpentes e outros animais;
- Realizar levantamento sobre as especialidades médicas que a região oferece para uma eventual emergência;
- Informar aos frequentadores da área sobre o ataque ou presença de riscos iminentes, bem como o responsável pela administração da área;
- Muita atenção ao acessar essas áreas. Olhe onde pisa e onde coloca as mãos;
- Não precisava nem falar, né?! Não maltrate, de forma alguma, esses e outros animais. Nós é que somos os invasores e perturbadores da ordem do ecossistema. Respeite a natureza.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***