Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 139

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Abril  2021
Parte do dia: Manhã
Local: RIO DE JANEIRO - /URCA - COLORIDOS
Número total de pessoas envolvidas: 3
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Descendo (inclui rapel)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Comportamento de risco

Causa(s) contribuinte(s):
Ausência de nó

Tipo(s) de ferimento(s):
Psicológico

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)

Relato:
URCA - COLORIDOS - VIA BRANCO - Após cordada em I na fácil via BRANCO, os três participantes, ambos com experiência de menos de um ano, se preparam para fazer o segundo rapel. Ao notar que o participante A já havia meiado a corda, eu (participante B) pergunto por 3 vezes se o mesmo deu os nós nas duas pontas e ele disse impacientemente que sim. Como participante é muito amigo desse relator e ele respondeu de forma incisiva, ambos participantes confiaram no que ele disse. Todavia, quando o participante A chega ao fim do rapel, aponta de cima que a corda está sem o nó, no que foi alertado para que desse então o nó, pois ainda restava o rapel dos outros participantes. O participante A ignorou o pedido e o participante B desceu sem o nó, mas chegando deu o nó para o participante C.

Prevenção (opinião do relator):
Não importa seu nível de confiança na pessoa e proximidade, sempre cheque tudo por você mesmo ou avalie a continuação da escalada com ela se determinados comportamentos trazerem insegurança. No caso, o escalador foi perguntado por três vezes ou mais se fez o nó e respondeu de forma irresponsável e impaciente que sim, gerando risco desnecessário para os outros, além de não ter dado o nó quando chegou na base, agindo de forma irresponsável por duas vezes.

Análise (CBME):
O nó unindo as pontas da corda deve ser incorporado como rotina em todos os casos, mesmo quando parecer que o final da corda vá repousar no chão ou em um platô. Mesmo sendo esse o caso não há como garantir que as duas partes da corda vão estar simétricas, e se uma das pontas da corda passar pelo equipamento de rapel irá causar uma queda amortecida somente pelo possível atrito da corda na ancoragem e contra a parede, ou seja, quase nada, e com consequências possivelmente graves ou até fatais dependendo da distância da queda.
Recomendações (CBME):
Incorporar a checagem recíproca de equipamento e procedimentos como uma rotina antes de todo início de escalada ou descida/rapel.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***