Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 145

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por uma testemunha

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Julho  2021
Parte do dia: Tarde
Local: Itanhandu - MG/Pedra do Condado
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Descendo (inclui rapel)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Erro de orientação

Tipo(s) de ferimento(s):
Psicológico

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Contexto: segundo e último rapel ao baixar de uma via de escalada.

Linha do tempo:
Escaladores A e B preparam o rapel em estilo "rapel pré-equipado" - quando os dois escaladores conectam seus freios e backups à corda, checam todo o sistema e só então dão início ao rapel, de forma a garantir que o último a rapelar tenha seu rapel checado por outra pessoa.

Após a checagem, escalador A rapela até o chão e libera a tensão da corda para escalador B.

Escalador B começa a rapelar e percebe que seu backup está agarrando demais - ele utiliza rapel extendido com ATC num PAS e, como backup, um autoblock feito com um anel de cordelete clipado ao belay loop com um mosquetão com trava.

Escalador B conecta sua solteira (PAS) a uma das chapeletas com argola da parada e reajusta o autoblock, checa novamente seu rapel, desconecta sua solteira e inicia o rapel.

Após ter rapelado cerca de 7m, escalador B nota que no processo acima desclipou-se do mosquetão de seu freio de forma que agora está rapelando apenas com o autoblock e que seu freio ficou conectado à corda lá em cima, próximo da parada.

Ao perceber o erro, escalador B comunica-se com escalador A que o orienta a ensolteirar-se à chapeleta mais próxima e então pede por maiores esclarecimentos.

Situação compreendida, escalador A procede o resgate do companheiro - de forma resumida, ascende pela corda até escalador B, presta apoio emocional (escalador B ficou assustado ao perceber o risco que correu), continua ascendendo até a parada, recupera o freio, rapela até escalador B, o conecta corretamente ao rapel, escalador B rapela primeiro até o chão e em seguida escalador A termina o rapel.

Prevenção (opinião do relator):
Familiarizar-se com uma técnica eficaz de garantir que sua volta de fricção esteja com nível adequado de fricção.

Ter sistemas críticos checados por duas pessoas (como na técnica do rapel pré-equipado) sempre que possível é o ideal e, uma vez checado, não pode haver alterações no sistema.

Quando checando sistemas sozinho, é importante seguir uma ordem (de cima para baixo, por exemplo) que garanta que nenhum ponto passará despercebido. Uma segunda checagem pela mesma pessoa também é uma boa ideia.

Conhecimentos sólidos e treinamento de técnicas de autorresgate ajudam a evitar que uma situação como esta evolua para um acidente.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***