Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 15

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Julho  2012
Parte do dia:
Local: Quatro Barras - PR/Paraná, Quatro Barras, Montanha do Anhangava, Setor Principal, Via Mônica
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda
Falha humana ou desconhecimento de técnica
Habilidades excedidas

Causa(s) contribuinte(s):
Habilidades excedidas
Segurança inadequada
Posição desfavorável

Tipo(s) de ferimento(s):
Estiramento
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)

Relato:
"Era a quinta saída para atividade de campo dos escaladores, desde que concluíram curso de escalada em rocha em uma academia de Curitiba.
Era minha primeira escalada guiada nesta via (já tinha realizado outras 10 vias com escalada guiada, fora as realizadas em ambiente indoor durante o curso, porém, em tipos diferentes de via, com requerimento técnico diferente).
Durante a escalada guiada da via mônica, após a passagem da quarta ou quinta costura, chega-se a um ponto de escalada em diagonal, transposto através de técnica de aderência. Passando-se este ponto atravessa-se um abaulado, ainda em aderência, faz-se uma quinta ou sexta costura, alcança-se um platô e imediatamente chega-se à parada da via.
Este abaulado impede a visão clara do segurança do que está sendo feito, e eventual necessidade de mais corda (para realização da costura) ou travamento de corda (em caso de queda).
Neste ponto abaulado, antes de chegar à costura, perdi a aderência, comuniquei o segurança/segundo da queda iminente com um grito ""queda"", e comecei a escorregar na via, em seguida saltei pra trás, para sair da via e não ralar mais a mão e pernas na pedra, esperando imediatamente ser amparado pela corda. Porém isto não aconteceu integralmente.
Caí aproximadamente 5 ou 6 metros, chocando meu pé esquerdo contra a rocha, antes de ser segurado pela corda.
Percebemos imediatamente o inchaço no pé, abortando a continuidade da escalada.
A descida do Morro do Anhangava durou aproximadamente 2:40 h (normalmente feita em 30 minutos), devido à restrição de se apoiar o pé no chão, sendo necessário apoio dos colegas em alguns trechos, bem como a utilização de bastões improvisados para auxiliar na locomoção.
Resultado do acidente: Fratura vertical da base do sustentáculo do tálus, diversos edemas da medular óssea, estiramento dos ligamentos deltóide, calcâneo fibular, talofibular anterior, supero lateral do spring.
2 meses de imobilização, 30 sessões de fisioterapia, 6 meses para retorno a atividades desportivas."

Prevenção (opinião do relator):
"1. Estar se possível acompanhado de escaladores mais experientes, que podem auxiliar em procedimentos eventualmente não adequados (corda demais na seg, recolhimento de corda pós costura) e betas da via;
2. Não relaxar na segurança do guia, mesmo que aparentemente tenha passado o crux da via. A segurança só termina efetivamente quando o guia comunica que está preso à parada, através de sua autoseg;
3. Evitar distrações enquanto está realizando a segurança de outro escalador;
4. Maior conhecimento de técnicas de escalada (aderências, por exemplo) e experiência em quedas, levando em conta o tipo de via (neste caso, levemente positiva, inadequado o afastamento imediato da parede, sendo necessário um ""deslize"" pela pedra até que a corda contenha a queda, ou enquanto necessário)."
Recomendações (CBME):
O segurança deve prestar atenção redobrada à comunicação verbal quando não há contato visual com o guia e sempre que possível em caso de queda do guia combinar o ato de travar a corda com a segurança de corpo, deslocando-se para longe da pedra.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***