Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 42

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Fevereiro  2003
Parte do dia:
Local: CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM - ES/ITABIRA
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Comportamento de risco
Nó errado

Causa(s) contribuinte(s):
DESIDRATAÇAO

Tipo(s) de ferimento(s):

Nível de experiência dos envolvidos:
Moderada (1 a 3 anos)
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Participantes A (experiente) e B (escalando há 1 ano) estavam conquistando uma via ao lado da Chaminé Cachoeiro. Já estavam há muitas horas na pedra e o sol estava escaldante. Participante B estava na primeira parada dando segurança para participante A que estava conquistando já a segunda enfiada.
Participante B começou a se sentir muito mal e pediu para descer para a base pois estava com muita dor de cabeça. Participante A joga lá de cima uma das pontas da corda para que participante B faça o nó de união das cordas e consiga desta forma rapelar até a base. Participante B recebe a corda, mas não consegue fazer o nó de união e nem avisar ao Participante A que não está conseguindo mais raciociar. Faz um nó qualquer e prepara o rapel. Só que como a conquista já estava distante, assim que participante B soltasse sua solteira iria pendular para o negativo da chaminé cachoeiro.
Com medo do pendulo participante B monta um back up acima do freio, solta a solteira e começa a rapelar. Ao pendular o back up sobe e participante B fica pendurado sem conseguir alcançar o back up e sem conseguir descer... Neste momento com o medo teve total consciencia que não tinha feito o nó correto, entra em pânico achando que a corda vai se soltar e leva um bom tempo pra conseguir montar um novo back up abaixo pra subir neste e então alcançar e soltar o de cima e continuar rapelando.

Por sorte o nó feito não se desfez, e conseguiu rapelar até a base e nada de pior aconteceu. Mas com certeza se pelo descuido e imprudencia o nó tivesse soltado era morte na certa pois a base é toda de pedras e a altura devia ser uns 50 m.

Prevenção (opinião do relator):
Se o participante B tivesse comunicado ao participante A que não estava em condições de fazer o nó correto com certeza o participante A teria enviado a corda já com o nó feito.

O back up acima do freio num momento de tensão e erro do participante agravou a situação.

Não deixar chegar ao limite físico para desistir ou avisar aos outros.
Análise (CBME):
A e B tinham duas cordas, uma com cada um dos escaladores no momento do incidente. O rapel em questão era mais longo que a o comprimento da corda meiada, daí a necessidade de duas cordas. A iria fixar a corda lá em cima e B iria juntar as duas cordas, fazer o rapel e B iria depois recolher as cordas e proceder ele mesmo para o rapel usando as duas cordas unidas.
Recomendações (CBME):
Ao se usar o back-up no rapel deve-se atentar para o comprimento do mesmo e distância do aparelho de rapel, pois em caso de travamento deve estar ainda ao alcance para ser destravado.

Iniciantes e mesmo escaladores experientes em recesso por longo período devem treinar os nós com frequência, especialmente os pouco usados rotineiramente mas que eventualmente são de vital importância, como em situações de auto-resgate, e no caso desse relato, nós de união da corda para rapel.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***