Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 48

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Abril  2002
Parte do dia:
Local: Rio de Janeiro - RJ/Pão de Açúcar - Via CEPI
Número total de pessoas envolvidas: 1
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (em via ferrata - cabos ou escadinhas)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Grampo/chapeleta soltou-se da rocha

Causa(s) contribuinte(s):

Tipo(s) de ferimento(s):
Psicológico

Nível de experiência dos envolvidos:
Moderada (1 a 3 anos)
Experiente (mais de 3 anos)
Na época com 2 anos de escalada

Relato:
Estava participando no paredão CEPI (escaladores A, B e C) e ao dar uma passada entre a 2ª e 3ª parada dois grapos de fixação do cabo de aço se soltaram e eu cheguei a sair um pouco da pedra e com o peso as minhas mãos queimaram então soltei um pouco o cabo de aço.

Devo ter caído de 01 a 02 metros. Graças a Deus não aconteceu nada, só um susto. Estávamos todos encordados e com segurança de cima de um grande escalador (A).

Fiquei um pouco com medo, depois de uma água chegamos ao cume sem problemas.

Análise (CBME):
A via CEPI, com mais de 200 metros de cabo de aço, foi instalada nos anos 50 e propiciou por longo tempo uma falsa sensação de segurança atraindo pessoas inexperientes, com várias fatalidades ao longo dos anos, que diminuíram quando foram retirados os primeiros metros do cabo no início da via, vetando o acesso a pessoas que não possuam material de escalada apropriado.

A manutenção do cabo de aço é complicada logisticamente e a detecção de possíveis pontos de falha é difícil.

Os grampos P, amplamente utilizados em algumas áreas no Brasil, não obedecem um padrão técnico rigoroso e não há qualquer tipo de regulamentação ou certificação, apesar de os principais fabricantes serem consistentes e oferecerem um nível de proteção adequado conforme testes realizados mostraram. Como toda proteção fixa, são sujeitos a corrosão e consequente falha, especialmente em ambiente muito próximo ao mar.
Recomendações (CBME):
A via CEPI deve ser escalada com corda e segurança de baixo, usando as proteções fixas existentes ao longo da via. NÃO deve ser escalada como uma via ferrata tradicional.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***