Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 57

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Incidente (quase acidente)

Mês e ano: Novembro  2007
Parte do dia: Manhã
Local: Rio de Janeiro - RJ/Pão de Açúcar - Cavalo Louco
Número total de pessoas envolvidas: 0
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Habilidades excedidas

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Moderada (1 a 3 anos)

Relato:
Estava guiando a segunda enfiada da Cavalo Louco na Face Oeste do Pão de Açúcar. Essa enfiada é um 5º grau constante, com um crux de 6ºsup, e segue em diagonal para a esquerda. No lance do crux eu levei uma queda e quebrei meu tornozelo esquerdo, além de sofrer uma torção leve no tornozelo direito, ou seja, fiquei com muita dificuldade de locomoção naquele momento.

Naquele momento eu percebi que a situação não era das melhores, fiz o prussik até o último grampo e depois meu parceiro me desceu de baldinho até a P1. Da P1 fizemos mais dois rapéis até a base da via, onde arrumamos todos os equipamentos.

Como não conseguia andar direito, já que estava com muitas dores na região dos dois tornozelos, meu parceiro me carregou no ombro até a estação do Morro da Urca, onde nos forneceram uma cadeira de rodas e descemos de bondinho sem qualquer custo.

Chegando na praia Vermelha fomos direto para a emergência de um hospital, onde fui informado pelo médico que havia quebrado a tíbia esquerda na altura do tornozelo. Para a minha sorte, não houve a ruptura total do osso, não sendo necessário um procedimento cirúrgico. Depois de aproximadamente quatro meses e muita fisioterapia já estava na pedra novamente!

Prevenção (opinião do relator):
Acho que o grau daquela escalada estava um pouco acima do meu nível naquele momento, mas de qualquer forma a queda faz parte da escalada.

Acho que o fator determinante foi a forma como eu caí. Eu caí meio tenso, tentando me segurar da rocha de alguma forma e não me afastei o suficiente da parede. Se eu estivesse mais relaxado no lance, mais leve, acho que não teria me machucado.
Análise (CBME):
Quedas fazem parte da escalada e se pouco pode ser feito para evitá-las, algumas pequenas ações podem minimizar suas consequências (ver recomendações abaixo).
Recomendações (CBME):
1) Usar capacete sempre.
2) Evitar escalar com a corda posicionada atrás da perna, o que faz com que o escalador sofra um giro descontrolado para trás em caso de queda.
3) Estar preparado para cair principalmente quando tiver tendo sinais de fadiga muscular ("tijolamento").
4) Tentar antecipar a direção da queda em caso de pêndulo e se possível evitar saliências na rocha ou platôs.
5) Atenção especial em vias com agarras quebradiças e vias molhadas.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***