Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 60

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Agosto  2013
Parte do dia: Manhã
Local: Rio de Janeiro - RJ/Passagem dos Olhos - Pedra da Gávea
Número total de pessoas envolvidas: 6
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Habilidades excedidas

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Pouca (menos de 1 ano)
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Éramos 6 pessoas, em 3 cordadas.
O ACIDENTE
O 2º escalador da 1a cordada "tijolou" o braço e caiu após descosturar o último grampo antes de chegar à P3 (P3 indicada no croqui do Guia da Floresta - Flavio Daflon e Delson Queiroz). Este lance se caracteriza por ser meio em descida, meio em diagonal. Na queda, o escalador pendulou e bateu de costas num bloco de pedra, fraturando os dois pés (no calcanhar), fato que o impossibilitou de fazer o auto resgate com ascensão em corda (prussik). Fora isso, estava consciente e participativo.
O RESGATE
Montamos um sistema de redução de forças e o içamos para a parada. A seguir, montamos um corrimão bem retesado com uma das cordas, fixamos a solteira do acidentado neste corrimão, e começamos a arrastá-lo pela parede, devagar, grampo a grampo, no sentido do início da via, sempre com backup de segurança em outra corda. Fizemos isso por uns 20 ou 30 metros, usando o sistema de redução para içá-lo nos desníveis da rota.
Quando chegamos no ponto em que a Passagem dos Olhos cruza com a via "CBMERJ 150 ANOS" entramos em contato com o pessoal do Corpo de Bombeiros e pedimos resgate por helicóptero. Deste ponto, descemos o escalador acidentado, por rapel assistido, até a base (3 rapéis).
Finalmente, já com a presença dos bombeiros resgatistas, carregamos o escalador acidentado para longe da parede, de forma a permitir a aproximação do helicóptero que efetuou o resgate.
Tempo total decorrido desde a queda até o resgate por helicóptero - aproximadamente 5 horas.

Prevenção (opinião do relator):
Na minha opinião, poderia ter acontecido com qualquer um. Como sugestão, para essa via específica, talvez colocar os escaladores mais inexperientes no meio de uma cordada de três, para que se possa dar a eles segurança "de cima" nos lances em descida, exatamente onde estão os cruxs da via.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***