Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 66

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por uma testemunha

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Julho  2012
Parte do dia: Manhã
Local: Rio de Janeiro - RJ/Babilônia
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Segurança inadequada

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão

Nível de experiência dos envolvidos:
Moderada (1 a 3 anos)

Relato:
Após a primeira parada, da via IV Centenário no Babilônia, o guia saiu para a segunda enfiada e quando foi costurar o primeiro grampo, escorregou, jogou o corpo para trás, passou pelo participante e, quando a corda esticou, o participante a travou, mas não o suficiente, correndo ainda alguns metros até que fosse travada totalmente. Consequência: mão do participante muito machucada e guia com costas e mão ralada. A parada era dupla e eles estavam usando uma costura como direcionadora.

Prevenção (opinião do relator):
Dava para ter evitado a queda e a mão machucada do participante?

A queda não. Mas daria para diminuir o fator se o guia tivesse subido e costurado o grampo logo acima da parada e voltado para montá-la, assim, ao sair da parada ele faria o lance em “top rope”.

Nos casos em que o guia é pesado, por vezes, só a força do participante não é suficiente para segurar a corda nesses tipos de queda. Seria preciso um maior poder de frenagem. Nesse caso, o participante poderia ter usado dois mosquetões no ATC, a fim de aumentar o atrito e conseguir segurar mais a “corda”, além de poder, também, usar luvas, o que evitaria aquela queimada na mão.

Outra causa dessas queimaduras nas mãos é falta de atenção na hora da segurança. Achar que o lance é fácil demais e que o guia não cairá, pode fazer com que o assegurando fique com a mão leve e que na hora da queda, ele só perceba depois que o corda estiver correndo. Parar a corda depois que ela começa a correr é muito mais difícil e com certeza terá a mão queimada. Mesmo utilizando freios automáticos como o grigri, é imprescindível a atenção, pois a corda ainda correrá um pouco até ser travada por completo.


A costura direcionadora serviu para que o participante não fosse puxado para baixo, tendo a força da queda não se concentrado no conjunto ATC/loop do baudrier, e consequentemente, na parada equalizada. No caso apresentado, ele foi puxado para cima e o direcionador absorveu o impacto em apenas uma proteção da parada. Talvez não seja o mais seguro, pois nesse caso, a força da queda se concentrou em apenas um grampo da parada; se não tivesse o direcionador, ela se dissiparia na parada equalizada, além do conjunto loop/baudrier. Porém, essa é a configuração mais utilizada e mais cômoda também, visto que seria melhor para o assegurando ser puxado para cima, do que para baixo.

De uma maneira geral, seguem alguns conselhos:

1 – Sempre que possível, costure o lance acima da parada antes de montá-la, evitando assim um fator 2 numa possível queda, após iniciar a próxima enfiada;

2 – Caso o guia seja pesado, utilize dois mosquetões no ATC para aumentar o poder de frenagem;

3 – Utilize, também, luva na hora da segurança;

4 – Nunca tire a mão da corda para liberá-la;

5 – Esteja sempre atento, o guia pode cair a qualquer momento, mesmo os mais experientes!!!!

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***