Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 67

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Janeiro  2014
Parte do dia: Manhã
Local: Rio de Janeiro - RJ/Via Labirintite - Cantagalo (Lagoa)
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Sol

Causa(s) imediata(s):
Queda

Causa(s) contribuinte(s):
Agarra quebrou

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão
Estiramento
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
No sábado (11/01) eu, participante A e o escalador A fomos ao Cantagalo escalar a via Labirintite.
Quando o escalador A estava para se preparando para costurar o 3° grampo já no 2° esticão, uma agarra de pé em que ele estava se quebrou e ele teve uma queda de aproximadamente uns 12 a 15 metros. Depois da queda desci vagarosamente o escalador A até a parada dupla aonde eu me encontrava. Ele estava sentindo muita dor em ambos os pés, e deu para verificar imediatamente que o pé esquerdo estava fraturado (mas sem fratura exposta). Não detectamos outras lesões e, apesar da dor, o escalador A estava consciente e lúcido. Começamos a nos comunicar com os escaladores B e C, que estavam na via ao lado e vieram nos auxiliar. Peguei 2 fitas longas e costuras, para fazer uma “tipóia” para as pernas do escalador A e coloquei a minha mochila e meu corpo atrás dele, de forma que ele ficasse com o corpo paralelo a pedra, com as pernas na “tipóia” e o tronco e cabeça apoiados na minha mochila, numa posição mais confortável e caso ele desmaiasse, o tronco e a cabeça ficariam apoiados. Depois dessa estabilização, liguei para os escaladores D e E que estavam na via Calis, também no Cantagalo, para pedir ajuda no resgate.
Enquanto os escaladores B e C estavam fazendo a aproximação, preparei a nossa corda para o rapel. O escalador B logo chegou até nós e iniciou a descida do escalador A com procedimentos de auto-segurança. Nessa hora os escaladores D e E já tinham chegado e conseguimos chegar rapidamente na base da via. Foi decidido que o melhor seria retirar o escalador A da base, com técnicas de transporte de feridos, onde o peso dele foi distribuído entre os 4 escaladores que estavam no resgate. Quando os bombeiros chegaram, estávamos no meio da trilha. O escalador A foi colocado na maca e transportado até a ambulância. No hospital foi constatada uma fratura articular no tornozelo esquerdo.

Recomendações (CBME):
Ter sempre em dia as técnicas de resgate e auto-resgate em montanha, oferecido por muitas das escolas que oferecem o curso básico.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***