Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 71

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Junho  2014
Parte do dia: Tarde
Local: Rio de Janeiro - RJ/Via Lembranças de um Passado, Cantagalo, Lagoa Rodrigo de Freitas
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Descendo (inclui rapel)

Condições atmosféricas no momento: Parcialmente nublado

Causa(s) imediata(s):
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Cachorros na base!

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão
Contusão

Nível de experiência dos envolvidos:
Experiente (mais de 3 anos)

Relato:
Eu, escalador A, estava executando o procedimento de rapel na via Lembranças de um Passado no Cantagalo, via que já havia feito diversas vezes em outras situações. Durante o rapel eu percebi que três pessoas estavam na base, mas além dessas pessoas, também estavam dois cachorros, que apresentavam um comportamento ligeiramente agitado.

O último rapel foi bem curtinho, fiz uma parada no segundo grampo da via, logo esse rapel deve ter sido em torno de uns 15 metros em parede bem positiva. Como os cachorros estavam agitados com a nossa presença, decidi deixar a corda no limite do chão, para evitar que ela virasse brinquedo na boca deles.

Comecei a executar o último procedimento de rapel, com uma ponta da corda no limite do chão e o escalador B ficou liberando a outra ponta que estava com muito mais corda. A ideia era que eu chegasse no chão e controlasse os cachorros caso fosse necessário.

Quando estava muito próximo do chão, a ponta da corda que estava com o escalador B ficou presa em uma laca, nisso ele começou a balançar a corda para que ela se desprendesse. Esse processo tirou a minha atenção e ao invés de fazer o rapel em linha reta, acabei fazendo em diagonal para a direta. Como a base da via é uma escada de escoamento de água, indo para a direita, me distanciei do chão, o que foi suficiente para que terminasse a corda antes que eu chegasse na base com segurança.....como consequência, a corda terminou quando ainda faltada cerca de um metro do chão e eu acabei caindo na escada de escoamento de água levando um tremendo susto!

Ressalto que usei o nó na ponta da corda em todos os rapeis, mas naquele em específico eu não fiz, já que a corda estava no chão e não fazia muito sentido. O resultado dessa minha falta de atenção foi alguns ralados no joelho, mão e quadril, além do orgulho ferido....mas ficou ai a lição!

[Relato editado para adequação ao formato anônimo]

Prevenção (opinião do relator):
Acho que foi um caso muito específico, mas o nó na ponta da corda definitivamente impediria minha queda de aproximadamente um metro até o chão. De qualquer forma o rapel era até a base, se eu não tivesse me importado tanto com a presença dos cachorros eu não teria caído.
Recomendações (CBME):
Evitar levar cães para a base das vias.
Sempre atar os nós nas pontas da corda antes do rapel., mesmo quando parecer desnecessário.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***