Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 86

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por uma testemunha

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Março  2015
Parte do dia: Tarde
Local: Ponta Grossa - PR/Buraco do Padre - Setor Macarrão
Número total de pessoas envolvidas: 2
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Subindo (inclui guiando, segundo ou cordas fixas)

Condições atmosféricas no momento: Nublado

Causa(s) imediata(s):
Queda
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Segurança inadequada

Tipo(s) de ferimento(s):
Contusão

Nível de experiência dos envolvidos:
Não se aplica

Relato:
O escalador A estava guiando, estava no crux da via e a ultima proteção estava na altura de seus pés no momento em que tomou a queda. A escaladora B estava fazendo a segurança com um freio autoblocante modelo Cinch da marca Trango, o freio girou e a alavanca do aparelho ficou presa dentro do mosquetão que o afixava á cadeirinha, no momento da queda, a alavanca não pode ser acionada por estar presa e o escalador A caiu de uma altura aproximada de 7 metros vindo a atingir diretamente o solo. Por um milagre o escalador A nada sofreu.

Prevenção (opinião do relator):
Já houve relatos de outros acidentes/incidentes usando este freio autoblocante. Aparentemente o mosquetão utilizado para afixar o freio á cadeirinha era grande demais, o que permitiu que o freio girasse fazendo com que a alavanca ficasse presa ao mosquetão. Existe a falsa ilusão de que esse tipo de freio seja infalível por ser autoblocante e as pessoas se descuidam utilizando apenas uma das mãos na corda ou mesmo nenhuma das mãos. Neste caso, se a segurança estivesse com as duas mãos na corda, uma mão na corda acima do freio, e a outra mão na corda abaixo do freio, impossibilitaria que o equipamento girasse e ficasse preso, e mesmo que isso acontecesse, com a mão na corda abaixo do freio, seria capaz de travar a corda pois o mesmo assumiria a função de um ATC, provocando atrito e parando a corda.
Recomendações (CBME):
O uso de um freio automático (como o grigri, o SUM, o cinch) não eliminam as eventuais falhas de procedimento por parte do assegurador (eventualmente até pode potencializar !). É fundamental que o assegurador mantenha a devida atenção para a segurança.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***