Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 87

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito por um dos participantes

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Abril  2015
Parte do dia: Tarde
Local: Ponta Grossa - PR/Pedra do Favo
Número total de pessoas envolvidas: 3
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente: Rocha (escalada livre ou artificial)

Etapa da atividade: Descendo (inclui rapel)

Condições atmosféricas no momento: Parcialmente nublado

Causa(s) imediata(s):
Falha humana ou desconhecimento de técnica

Causa(s) contribuinte(s):
Segurança inadequada
Erro de orientação

Tipo(s) de ferimento(s):
Fratura

Nível de experiência dos envolvidos:
Não sei informar agora

Relato:
O acidente lamentável ocorreu por uma soma de pelo menos 4 erros. O episódio começa após o escalador A guiar uma linha de um 5° e montar uma parada na via ao lado direito (pois a mesma não tinha parada a não ser passando um teto de talvez 9º) desceu de baldinho para a escaladora B subir de Top-rope.
Primeiro erro: A escaladora B se dispõe a subir pelo meio da corda, dando um nó 8, ligando o mosquetão-nó-cadeirinha, para que o escalador C pudesse subir na sequencia pela mesma linha sem haver pêndulos. Acontece que não houve comunicação entre o escalador C (que dava a segurança para a escaladora B) e a escaladora B sobre quais os procedimentos a serem tomados; negligentemente o escalador A tão pouco tomou este cuidado, por não tomar conhecimento prévio da experiencia de ambos e estar avoado não observando risco algum numa escalada deste modelo.
Erro 2: O escalador A empresta seu freio automático e ensina o manuseio ao escalador C que não se dispôs a usa-lo de prontidão, pois disse que confiava mais em freio tipo ATC; escalador A instrui como usá-lo pois não viu perigo algum em um top-rope feito com este freio.
Tudo segue até o terceiro e maior dos erros: a falta de comunicação e atenção de todas as partes. Ao chegar na parada, com o resto da corda à esquerda passando pelas costuras (alinhando a corda para o escalador C), a melhor forma de baixar de baldinho seria então passar para o outro lado da parada (direita) e descer, a escaladora B prendeu sua solteira e passou para o outro lado.
O escalador C preocupado mais com o equipamento "novo" além de alegar que não enxerga bem de longe, quando a escaladora B disse "Me pega" ele puxou e a pegou sentindo seu peso. O porem é que ele estava puxando ela para baixo, pois não trocou de ponta de corda para dar a segurança e baixar de baldinho a escaladora B, enquanto isso o escalador A estava mais preocupado em arrumar seu dread, olhando para baixo, do que com o que estava acontecendo com os envolvidos diretamente.
O resultado foi um só, no quarto e ultimo erro, a escaladora B, não percebendo que a segurança a puxava para baixo, de alguma forma (poderia ter puxado uma das costuras da parada para aliviar o mosquetão) consegue retirar sua solteira da parada e ao começar a baixar foi uma voada direta para baixo, caindo aproximadamente 10 m em queda livre até o chão, cercado por pedras, no único metro quadrado de areia fofa. Resultado: Uma vertebra L1 quebrada e muita, muita vergonha do ocorrido.

Prevenção (opinião do relator):
COMUNICAÇÃO e PADRONIZAÇÃO das técnicas a serem utilizadas por ambas as partes, seja qual for o estilo de escalada; atenção ao presente momento é fundamental para a prevenção de acidentes.
Análise (CBME):
Enumerando os erros descritos no relato:
1) Montagem de parada em via vizinha - talvez a via sendo escalada estivesse além do grau de habilidade do grupo por não ter parada antes de um teto.
2) Encordar-se no meio da corda.
3) Falta de comunicação com o segurança, que não soube qual extremidade da corda escolher para dar segurança para a descida de um dos escaladores, levando ao acidente.

Muitas vezes não há uma linha de visão direta entre o guia e o segurança, tornando ainda maior a importância de procedimentos padronizados e comunicação eficiente.
Recomendações (CBME):
1) Seguir procedimentos padronizados sempre que possível.
2) Assegurar-se da comunicação efetiva do grupo antes de começar a escalada, principalmente se for um grupo ou dupla nova
3) Da mesma forma é importante que a dupla detenha de forma sólida todos os conhecimentos básicos relacionados a cadeia de segurança durante a escalada, isso contempla os nós, montagem de paradas, uso correto dos freios, backup durante o rapel, ascensão por corda fixa, etc...

Havendo dúvida quando à capacidade técnica de um dos parceiros, é preferível fazer uma reciclagem ou ter todas as dúvidas sanadas e procedimentos bem estabelecidos.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***