Banco de relatos de acidentes em montanha - CBME

Relatório número 95

*** Caso você conheça as circunstâncias do episódio descrito abaixo e identifique discrepâncias por favor nos comunique***
 
Fonte do relato: Relato escrito com dados fornecidos por um dos participantes ou uma testemunha.

Tipo de evento: Acidente

Mês e ano: Março  2016
Parte do dia:
Local: Mairiporã - SP/Pedreira do DIB
Número total de pessoas envolvidas: 1
Número fatalidades: 0

Tipo de ambiente:
Highline

Etapa da atividade: Caminhando (inclui escaladas fáceis sem equipamento de proteção)
Queda

Condições atmosféricas no momento: Chuva

Causa(s) imediata(s):
Queda
Comportamento de risco
Nó errado
Desconhecimento do Participante

Causa(s) contribuinte(s):

Tipo(s) de ferimento(s):
Abrasão

Nível de experiência dos envolvidos:
Não se aplica

Relato:
Acidente em HIGHLINE/Ambiente de montanha

No dia do ocorrido estava acontecendo um encontro de highline na Pedreira do DIB, e por volta das 18h00min, um homem que não estava participando do encontro chegou ao local e pediu um baudrier emprestado para um dos poucos participantes ainda presentes no local após forte chuva.
O participante emprestou o acessório para o homem e o questionou sobre a ausência da pulseira de identificação das pessoas autorizadas a entrar nas linhas; O homem respondeu que ainda não havia encontrado ninguém da organização para retirar a pulseira e assinar o termo de responsabilidade de acesso aos highlines.
Ao acessar a linha, esse e outro participante se ofereceram para fazer o ‘double check’ do homem em questão e o mesmo disse que não havia necessidade, pois já era um “praticante experiente”. Infelizmente ele não tinha o devido conhecimento de segurança para a prática de highline e fez um nó ‘qualquer’, no qual ele passou um mosquetão, e prendeu o mosquetão na alça do baudrier.

Ao subir na linha, o homem caiu com um “leash fall” (queda que o praticante fica suspenso pelo leash de segurança), e apesar da amarração inadequada a alça de acessório suportou a força da queda, porém, ao tentar escalar o leash para retornar para cima da linha, a alça se rompeu e homem despencou de aproximadamente 10m. Por sorte, a linha onde ocorreu o acidente fica em cima da água e o acidentado não sofreu graves ferimentos.
Depois do ocorrido, pessoas o indagaram sobre o que o teria levado a entrar em uma linha de highline arriscando a própria vida e toda a reputação de um esporte sem ter o devido conhecimento para tal, segundo o relato de outro participante que presenciou o ocorrido, ele foi arrogante e não mostrou arrependimento pelo erro.
O homem acidentado é um desconhecido de todos os presentes e não é praticante de highline.
O evento contava com equipe de apoio em todos os setores de highline; Pessoas faziam a conferencia da pulseira de participação do encontro (que o participante só recebia mediante assinatura de termo de responsabilidade), e faziam também o double check dos praticantes antes do acesso às linhas, apesar disso, como foi relatado, o ocorrido foi após uma forte chuva de fim de tarde e poucos participantes ainda permaneciam no local.

Nota dos revisores CBME: esse relato foi editado de modo a retirar identificacão individual contida no relato original.

Prevenção (opinião do relator):
***Em um festival de highline, sempre retirar os leashes das linhas montadas quando não houver equipe de apoio responsável exclusivamente pelo double check dos praticantes e da segurança dos equipamentos empregados na montagem das linhas.
***O Double Check em eventos de grande circulação NUNCA deve ser uma opção, independente do nível de conhecimento do praticante que vai acessar o highline, o double check deve ser OBRIGATÓRIO, afinal estamos todos sujeitos a erros.
***O baudrier é equipamento de uso pessoal; Não o empreste a desconhecidos.
Recomendações (CBME):
Em todas as modalidades deve haver checagem de montagem/ancoragem. Na escalada, a checagem recíproca deve ser regra e feita pelos participantes em TODAS ocasiões.

*** Este relato foi fornecido de forma espontânea por um membro da comunidade de montanhistas e reflete sua visão do acidente e sua opinião pessoal. Apesar de fazer máximo esforço para confirmar a veracidade e exatidão dos relatos, a CBME ou seus membros não se responsabilizam por eventuais discrepâncias ou inconsistências encontradas nos relatos, ou ainda se indivíduos ou empresas se sentirem de alguma forma ofendidos ou injustiçados pelo conteúdo do relato, apesar da forma anônima de apresentação dos dados. ***